Questão 51 - Simuladão 3/2022

Quanto mais sólidas se tornam as posições da indústria cultural, tanto mais brutalmente esta pode agir sobre as necessidades dos consumidores, produzi‐las, guiá‐las e discipliná‐las. Aqui não se coloca limite algum ao progresso cultural. Mas essa tendência é imanente ao próprio princípio — burguês e iluminista — da diversão. Na base do divertimento planta‐se a impotência.

ADORNO, T. Indústria cultural e sociedade. São Paulo, SP: Paz & Terra, 2009.

O princípio da diversão é criticado pelo autor porque ela:

A) Admoesta os indivíduos.
B) Fornece bases para a libertação ideológica.
C) Produz uniformização dos bens e atos culturais.
D) Permite reformulações teóricas de base política.
E) Contraria as recomendações da produção fonográfica.

Fiquei em dúvida quanto à uniformização dos bens que está na opção certa (C), pois a indústria cultural não possui exatamente o papel de manter as classes dominantes no poder, mantendo as desigualdades e, consequentemente, uma divergência entre os bens que as classes possuem?

Olá, Carlos, tudo bem?
Segundo Theodor Adorno, em seu conceito de “Indústria Cultural”, as classes dominantes, no caso os detentores dos meios de produção, têm o objetivo de padronizar a cultura das pessoas para massificá-las, com o intuito de facilitar a produção de determinado produto e a sua posterior venda. Isso ocorre, porque é mais fácil produzir, por exemplo, 100 sapatos iguais que agradem à cem pessoas, do que produzir 100 sapatos totalmente diferentes para 100 pessoas com gostos distintos. Isso tem relação com a linha de produção de Ford, ou seja, ter uma produção igual, mais rápida e em massa. Por isso, a Indústria Cultural molda nossos gostos sem mesmo percebermos, para vender mais o mesmo produto. Isso ocorre para filmes, livros, manifestações políticas, times de futebol. Ademais, em tudo a Indústria Cultural está presente, unificando gostos em massa, pois não existe um elemento cultural que apenas uma grupo pequeno de pessoas goste, já que a Indústria Cultural expande esse gosto, colocando-o na moda e unificando-o . Esse assunto tem um pouco de relação com o conceito de violência simbólica de Pierre Bourdieu, se esse assunto te interessou, quando você puder dê uma pesquisa sobre esse outro conceito depois, é muito bacana, mas se eu o trouxer aqui, estarei saindo do foco principal de sua dúvida e esse texto ficaria muito extenso. Em suma, Indústria Cultural é um assunto muito bacana e amplo, pois com ele percebemos que estamos sendo moldados o tempo todo para a facilitar a ação do capitalismo. Espero ter ajudado.

Entenda, não é necessariamente nesse sentido das classes que a questão vai, a pergunta é sobre como a indústria cultural afeta a cultura, não as classes por si só. Nesse sentido, quando paramos para analisar a teoria da indústria cultural seus teóricos afirmam que essa uniformiza o que nos é apresentado em filmes e novelas por exemplo, então a uniformização de bens não é necessariamente uma questão social, mas sim um padrão do tipo “todo mundo compra isso porque está na moda, é o que todo mundo gosta” é esse tipo de padrão de bens que a alternativa queria que você percebesse, não o lado social da indústria cultural. Espero ter ajudado. :smiling_face_with_three_hearts: